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Antigas

Concurso “Uma Aventura… Literária 2016”

Os alunos do 6º ano da Escola Básica e Secundária de Vila Nova de Cerveira participaram no concurso “Uma Aventura… Literária 2016”. O trabalho do aluno Gonçalo Lima do 6ºC foi distinguido com um Menção Honrosa. Parabéns a todos os participantes!

Uma Vida, um Risco, uma Salvação

Como todos sabemos, durante os nossos dias estamos constantemente a ver tragédias do tema “Refugiados”. Estas pessoas têm imensa coragem para atravessar mares e oceanos no intuito de conseguirem salvar as suas vidas, escapando da guerra alimentada pelo autoproclamado “Estado Islâmico” que apenas destrói vidas inocentes para seguir o seu fanatismo religioso que nada tem a ver com os ensinamentos do seu Deus Alá…

Numa madrugada particularmente mais fria que o normal, acordei um pouco receosa, mas também muito confiante. Preparei-me, e com muita saudade abandonei a minha residência e parti para o cais.

Quando cheguei ao local vi mais quarenta pessoas e um pequeno barco a motor insuflável com o sinal «Máximo vinte pessoas», no momento em que vi o sinal fiquei extremamente receosa, nervosa e muito preocupada. Era hora do pagamento, eu entreguei o valor indicado, mas dez pessoas ficaram em terra por não terem dinheiro para a passagem.

Aproximou-se a hora da partida! Um homem pôs o motor do barco a trabalhar e arrancou. Durante duas horas estivemos a sair da Síria. O meu objetivo era chegar à Turquia para conseguir entrar na Europa e passar para Portugal, no intuito de recomeçar uma vida nova sem medo e com muita esperança.

Pouco tempo demoramos a chegar à Turquia. Atracamos no porto mais próximo da fronteira Ásia/Europa. A separação está vigiada vinte e quatro horas por dia, mas como havia muita gente conseguimos passar, com o azar de deixar três pessoas para trás.

Foi uma caminhada extremamente difícil até à Áustria. Em território austríaco fomos parados por uma operação de controlo de refugiados. Ficamos parados durante cinco dias naquele local até obtermos documentação para podermos seguir caminho na Europa. Vinte e sete pessoas preferiram finalizar a sua viagem na Áustria. Apenas quatro continuaram caminho em rumo a uma vida nova.

Chegados a França decidimos, em conjunto, que devíamos continuar até Espanha, o mais rápido possível, pois segundo o que íamos ouvindo, na Síria o Estado Islâmico já tinha feito um grande ataque naquele local e poderia estar a planear outro, por isso decidimos sair dali e dar o menos possível nas vistas.

Dez dias depois conseguimos passar a fronteira espanhola. Dois dos nossos colegas decidiram que o seu destino final seria Madrid. Como já eramos poucos custou-nos a separação, mas sabíamos que tudo era para o nosso bem.

Ficamos apenas eu e Max que, que por um acaso era a pessoa com quem eu me dava melhor no grupo. A sua companhia era fantástica, o que tornou a viagem mais fácil.

Com o passar dos dias acabamos por namorar e, em conjunto, chegamos ao nosso destino, Faro.

Cada um tinha um pequeno pé-de-meia que chegou para arrendar um apartamento durante um mês. Logo na primeira semana, ambos conseguimos arranjar emprego. Eu era empregada de mesa e ele canalizador. Com os nossos ordenados, ao fim do mês, conseguíamos manter o apartamento e ter alguma estabilidade financeira.

Passado cerca de um ano, durante uma consulta médico, foi-me comunicado que estava grávida. Fiquei eufórica e fui logo avisar o Max.

Nesse mesmo dia, o Max preparou-me uma surpresa inacreditável. Pediu-me em casamento. A minha resposta foi, sem dúvidas, sim. Casamos em Lisboa, local onde passamos a residir e a trabalhar.

O nosso filho nasceu dois meses após o casamento. Era um menino lindo, com o tom de pele que parecia pêssego e uns olhos que transmitiam muita ternura.

Com todos os problemas que “atropelaram” a nossa vida, a verdade é que só nos podíamos considerar uns pais felizes, com sorte na vida.

Esta história, por acaso, teve um final feliz, mas muita gente que faz este percurso não tem o mesmo fim. Naufraga durante a viagem de barco, não consegue chegar ao destino, ou, ainda pior, nem sequer consegue sair do seu próprio país, acabando por morrer por causa da guerra.

Devíamos procurar uma solução para o radicalismo do “Estado Islâmico”, o qual apenas sacrifica vidas inocentes.


O Gabinete de Comunicação do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Cerveira

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